Sindicatos devem se renovar para representar os trabalhadores do século XXI

28/01/2010 às 18:28h

Economista do IPEA Macio Pochmann fala do novo Trabalho e das necessidades de adequação das entidades representativas dos trabalhadores

Neste cenário serão necessárias tanto reivindicações para mudanças na legislatura, quanto adequação das próprias instituições representantes dos trabalhadores e suas práticas. Um bom exemplo é o tema que perpassa as campanhas salariais mais recentes do Sinpro-Noroeste, realizadas em nível estadual pelos três sindicatos representantes dos professores do ensino privado gaúcho (Sinpro-Noroeste, Sinpro-Caxias e Sinpro-RS). Os professores chamam atenção para ‘o tempo necessário de ser professor’- Uma rotina exaustiva em que o professor leva trabalho para casa, é exigido em áreas para as quais suas competências profissionais não são direcionadas, dentre outras situações. Marcio Pochmann, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), participante do seminário que integra a programação do FSM “Mundo do Trabalho: Nossas respostas à crise” enfatizou este tema à nossa reportagem, com o segue na entrevista.

 

Como você analisa o papel das organizações sindicais nesse novo contexto do mundo do trabalho?

 

Certamente os sindicatos que representam os trabalhadores do setor terciário, dos serviços, como o ensino e a educação de maneira geral já sabem, já conhecem o que representam essas formas de trabalho que se manifestam não só no local específico de trabalho, na sala de aula, mas também a preparação e todo o comprometimento do tempo de vida com este trabalho que não é reconhecido e não é remunerado. Esta é uma forma que ganha maior dimensão e está elevada para outras atividades laborais. Portanto, os sindicatos que já estão muito tempo vinculados a este tipo de conhecimento pressuporia, na verdade, uma atuação mais expressiva porque essas formas de exploração que se dão para além do local de trabalho são pouco conhecidas e, ainda, infelizmente, as nossas formas de proteção dos trabalhadores e até mesmo reconhecimento e valorização através da remuneração não são difundidas e praticamente quase inexistentes.

 

Há um oportunismo, por parte dos empregadores, frente esta questão aproveitando para profetizar o enfraquecimento dos sindicatos, banalizar a luta organizada e fragmentar as categorias...

 

Exatamente. Mas precisamos justamente reconhecer que este novo mundo do trabalho pressuporá instituições mais ativas que não olhem o trabalhador somente no local específico de trabalho, mas também toda a sua própria existência. Isso significa, na verdade, instituições de novo tipo e eu acredito e espero que as instituições atualmente existentes se dêem conta dessa realidade porque depois, supostamente, surgirão outras instituições capazes de entender essa representação.


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