07/07/2010 às 16:38h
O desafio de superar a violência no espaço da escola é o principal objetivo do Seminário de Formação realizado pelo 31º Núcleo do CPERS Sindicato, Sinpro-Noroeste e /APMI Sindicato. Na noite desta terça-feira (06) foi feita abertura do evento, onde estiveram presentes os diretores/coordenadores das três entidades sindicais Ida Irma Dettmer, João Frantz e Adriana Noronha respectivamente; o Secretário Municipal de Educação Eleandro Lizot e a Coordenadora da 36ª CRE Noemi Huth. Após as saudações iniciais, foi realizada palestra pelo professor da Unijuí Larry Wizniewsky.
LEITURA E REPRESENTAÇÃO – A temática do primeiro dia do seminário foi "Conjuntura e Formação da Cidadania". Wizniewzky enfocou a questão a partir da comunicação e da visão de uma sociedade que lê a realidade (inclusive a da violência) de forma deturpada por conta da espetacularização dos fatos realizada pela grande estrutura dos meios de comunicação de massa. Para ilustrar sua fala, o professor realizou uma espécie de experiencia do que apontou como ponto central da conjuntura em que vivemos. Foram exibidos trechos de documentários – sobre a II Guerra Mundial e o clássico ‘Ilha das Flores”, demonstrando como é possível incutir uma mentirá no pensamento das pessoas quando se contam meias-verdades, como foi o caso da disseminação do Nazismo e das idéias de Hitler ou da jogada de roteiro do cineasta Jorge Furtado. Segundo o professor, “uma sociedade vulnerabilizada, carente de orientação e opiniões, seja como a alemã pós I Guerra ou como a brasileira após 510 de exploração e desigualdades sociais e econômicas, é mobilizada emocionalmente de maneira muito fácil, para coisas belas ou para coisas brutais e violentas”.
Partindo do pressuposto de que a escola não pode deixar que os alunos mergulhem na idéia representada com espetacularização de nossa sociedade, o professor exibiu dois documentários com referência pedagógica em Paulo Freire. Uma das produções foi o registro acerca da formação de atores para o filme “Cidade de Deus”, a outra foi “Falcão – Meninos do Tráfico”. A maneira como a formação dos atores foi realizada e a forma como a realidade é apresentada em “Falcão...” alertam para qual pode ser a forma de tratar a violência na escola. “Sugiro que duas coisas são essenciais: o aspecto da psicologia e da saúde mental e o da Arte. Temos que ter espaço e disposição para ouvir, para escutar acerca da realidade que os alunos trazem para dentro da escola, deixar eles falarem sobre, por exemplo, a violência. E, especialmente, utilizar a Arte como a maior e melhor forma de recortar e representar a realidade e a violência. A Arte é um antídoto para a violência institucionalizada e espetacularizada em nossa sociedade que é refletida dentro da escola. Não vamos resolver o problema do Brasil ou do mundo, mas, a curto prazo, o trabalho com a expressão artística, seja dança, teatro, poesia, pintura, etc. pode ser um caminho para os alunos refletirem sobre a realidade em que vivem, sobre a violência de forma real. A partir daí contribuiremos como professores na formação de cidadãos não-violentos”.
A abordagem psicológica da questão da violência na escola foi realizada na manhã de hoje com a palestra "Fare Unsieme (Fazer junto): Uma prática possível na Escola” proferida pelo
psiquiatra Coordenador do Departamento de Psiquiatria da Província de Trento/Itália Dr. Renzo de Stefani. O seminário prossegue até amanhã à tarde.
PROGRAMAÇÃO:
08/07/10 – Quinta-feira – 8h
Mesa de debate - "O Educador frente às políticas educacionais"
Sinpro-Noroeste – Sergio Luiz Fernandes Pires – Professor do Departamento de Estudos Jurídicos da Unijuí e advogado
APMI – Vilson João Weber – Secretário de Formação da FEMERGS
CPERS – Simone Goldschmidt – Ex-Presidente do CPERS e representante da CUT
08/07/10 Quinta-feira – 13h30min
Projeto "Escola sem Violência": sem drogas, sem bullyng
Aloisio Pedersen – Arte-terapeutae educador da E.E.E.M. Padre Réus/POA