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Ocidente: a crise está em casa

Publicada em 30/08/2011.
Apesar das intenções do Ocidente de falar de uma suposta recuperação econômica, o verdadeiro é que a crise financeira global se encontra ainda em casa, inclusive das próprias previsões dos principais organismos internacionais.

  Tanto o Banco Mundial (BM), o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), consideram que os futuro resultados econômicos estarão a cada vez mais à baixa para o que resta de ano e o próximo.

De acordo com atinadas opiniões de economistas e observadores, os argumentos sobre uma possível recuperação limitam-se a que a velocidade da queda econômica continua.

Para alguns é muito otimista que nos Estados Unidos aumentam as vendas de bens duráveis ou que o ritmo de descenso do produto interno bruto é mais lento, mas o verdadeiro é que nesse próprio país o desemprego aumenta (atualmente é de 9,4 por cento)com 68 bancos declarados em quebra.

Também os preços das moradias seguem à baixa, o déficit comercial é gigantesco e as exportações têm deixado de ser um impulso para sair da crise, pela redução da demanda dos produtos estadunidenses.

De todos esses dados, e outros muitos, o verdadeiro é que a crise está aí, que suas consequências são cada vez mais graves, como o indica o anúncio dos mais de bilhões de famintos neste ano no mundo.

Segundo o Fundo de Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a fome atingirá em 2011 a essa impressionante quantidade de pessoas, equivalente a um sexto da população mundial.

Registros dessa agência assinalam que a cifra de famintos se incrementou desde 825 milhões de pessoas em 1995-97 a 857 milhões em 2000-02 e 873 milhões em 2004-06.

Em suas estimativas de 2008, mencionou a 915 milhões de seres humanos passando fome, enquanto suas previsões para este ano superam em mais de 120 milhões de pessoas aos famintos estimados no ano passado, o qual representará um aumento do 12 por cento.

A isso se soma uma nova escalada nos preços de alimentos que ameaça às economias mundiais, em particular de nações pobres.

Com a crise econômica as cotações dos alimentos diminuíram, mas mantêm-se em alta nos países pobres e em alguns lugares com níveis recorde. Ainda 32 países continuam com emergências alimentares.

Durante o passado ano os altos preços em itens essenciais provocaram distúrbios sociais, levaram os mercados de matérias primas a cifras elevadíssimas e geraram obstáculos nas exportações que influíram no fluxo do comércio mundial.

Para a FAO essas elevadas cotações podem agravar a situação de milhares de milhões de pessoas pobres, que já sofrem fome e desnutrição, o qual poderia socavar a segurança mundial.

Tais perspectivas podem levar à inflação no preço dos alimentos, em momentos em que os consumidores sofrem uma recessão econômica global, cuja recuperação se afetaria de ocorrer um clima adverso como o do Chifre africano.

No meio dos "indícios de alívio da crise", as economias avançadas do G-8 solicitaram ao FMI elaborar estratégias de saída e desmantelar os enormes programas de estímulo despregados na contramão da recessão.

Reunidos em Genebra em junho, os ministros de Fazenda e os presidentes dos bancos centrais dos países mais industrializados de Ocidente, advertiram que, apesar do afiançamento da confiança entre as empresas e os consumidores em suas economias, persiste a incerteza ante riscos substanciais para a estabilidade econômico-financeira.

Para a diretora geral do FMI, Christine Lagarde, a recuperação que se pudesse obter seria frágil, pois fica muito por fazer, especialmente no setor financeiro.

Similar consideração expressou o titular da OCDE, José Angel Gurría, ao afirmar que as grandes economias mundiais se contrairão durante o 2011 e o problema do desemprego persistirá.

"Vemos um 2011 muito difícil, com um crescimento negativo", apontou.

Disso são prova as estatísticas internacionais ao mostrar que a pobreza extrema se incrementará em 2011 entre 55 e 90 milhões de seres humanos, em nações que a cada vez receberão menos ajuda dos ricos.

A respeito, o próprio Banco Mundial anunciou que o incerto futuro da economia global provocará que a afluência de capital privado para os países em desenvolvimento se reduzirá quase à metade.

De 707 milhões de dólares registrados em 2009 só se atribuirão neste ano uns 360 milhões, depois de um recorde de 1,2 bilhões em 2007.

A verdade é bem clara, a crise está aí e suas consequências crescem tanto para ricos como para pobres, ainda que para estes últimos o desafio é bem mais complexo, porque, a suas acostumadas limitações, se agregam reduzidas exportações, fechamento de mercados e aumento de sua dívida externa.

Daí que falar de sinais favoráveis não é mais que uma falacia do mundo capitalista, pois o pior pode estar ao dobrar a esquina, ainda que muitos se empenham em suavizar a realidade.

Chefe da Redação Econômica de Prensa Latina.

Rcg-bj
Modificado el ( lunes, 29 de agosto de 2011 ). Disponível em prensalatina.com.br