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Professores no limite

Publicada em 31/10/2012.

As condições de trabalho têm um impacto expressivo na saúde dos professores, atestou a pesquisa sobre o estresse dos professores no ensino privado do Rio Grande do Sul, realizada pelo Programa de Pós-graduação de Psicologia da Unisinos. O estudo realizado no ano passado identificou altos índices de professores sofrendo as consequências do estresse.

O nível de estresse se divide em quatro etapas. Segundo a investigação, a maioria dos professores está na segunda (fase da resistência), o que significa que ainda há margem para reversão do problema. “As intervenções podem ser focadas no indivíduo, no grupo e/ou na organização do trabalho”, explicam as psicólogas Janine Kieling Monteiro, Patrícia Dalagasperina e Maríndia Oliveira de Quadros, responsáveis pela pesquisa e autoras do livro Professores no limite – O estresse no trabalho do ensino privado do Rio Grande do Sul, lançado em setembro deste ano pela Federação dos Trabalhadores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Fetee/Sul).

A obra está sendo distribuída pelo Sinpro/RS aos professores nas instituições de ensino. “Conhecer e compreender a realidade do trabalho dos professores, bem como os reflexos na qualidade de vida e na saúde, é fundamental para propor iniciativas, buscando evitar o surgimento de doenças”, observa Sani Cardon, diretor do Sindicato. “É fundamental que o professor reflita sobre este problema”, defende. “A solução do problema parte de uma decisão também do próprio professor”.


ONDE ESTÁ O PROBLEMA – Os fatores apontados como mais estressantes foram classificados em dois grandes blocos. O primeiro refere- -se ao excesso de atividades que o professor precisa realizar e que ocupa, quase sempre, os finais de semana, ou seja, os momentos de descanso; e prazos curtos, sempre requerendo urgência na sua condução e com pouco tempo para estudo e dedicação, o que acaba prejudicando a qualidade do ensino e gerando frustração. O segundo bloco diz respeito aos alunos. Foram mencionadas a falta de motivação, de limites e de educação dos estudantes. Somam-se também a este grupo o excesso de alunos por turma e a falta de reconhecimento do trabalho pelos pais.

O QUE FAZER – Redução da intensidade de trabalho e da competitividade e busca de metas coletivas que incluam o bem-estar de cada um estão entre as ações voltadas para mudanças na organização do trabalho. Elas podem ser indicadas tanto na prevenção como no tratamento das doenças laborais, como o estresse. As autoras do livro Professores no Limite, psicólogas Janine Kieling Monteiro, Patrícia Dalagasperina e Maríndia Oliveira de Quadros dedicam um capítulo à abordagem específica das intervenções em saúde mental no trabalho do professor. E as ações mais eficazes são aquelas voltadas para o indivíduo e na instituição na qual ele está inserido.

LUTA SINDICAL
– O Sinpro/RS aferiu, em pesquisas realizadas nos últimos quatro anos, o que vinha percebendo no acompanhamento da categoria: o professor do ensino privado está adoecendo. “E isso está diretamente ligado às condições de trabalho”, assegura Amarildo Cenci. “Estamos com várias frentes para denunciar o problema e garantir qualidade de vida aos professores”.



Indisciplina e violência

“Velha” e “incompetente” foram as expressões mais ‘leves’ usadas por uma aluna contra uma professora de uma grande instituição de Educação Superior de Porto Alegre. A agressão, diante dos colegas, não provocou qualquer encaminhamento da direção. As agressões continuaram e a professora abriu mão de parte da carga horária para deixar de atender a turma da estudante. Este foi um dos 15 casos que chegou ao Núcleo de Apoio ao Professor contra a Violência (NAP), do Sinpro/RS, entre julho e agosto deste ano, somente em Porto Alegre.

Especial Doadora | Edição 167, Setembro de 2012

Relatos de violência física, moral e psicológica são frequentes no ensino privado gaúcho. Em 2007 o Sinpro/RS constituiu o NAP para atendimento psicológico e jurídico ao professor. “O número de relatos cresceu muito”, destaca Cecília Farias, diretora do Sindicato e coordenadora do Núcleo. “O que em um primeiro momento se pensava que acontecia mais na Educação Básica, agora se confirma em todos os níveis de ensino – da Educação Infantil até as universidades”.

O QUE FAZER – Em caso de violência de pais e/ou estudantes, o professor deve buscar apoio da direção da instituição de ensino. O ideal é resolver pontualmente o problema. Caso não haja encaminhamento adequado da direção, o professor deve procurar o NAP.

LUTA SINDICAL
– A violência no ensino privado ganhou a atenção da sociedade a partir de denúncias do Sinpro/RS. Em 2010, o Sindicato conseguiu incluir na Convenção Coletiva de Trabalho a Cláusula do Ambiente Escolar – que determina: “Os estabelecimentos de ensino, por suas direções, dentro das suas prerrogativas legais, deverão atuar no sentido de prevenir e reprimir condutas discentes e/ou de pais e demais tomadores de serviços educacionais configuradoras de violência física, psicológica ou moral contra seus professores. Estes, por sua vez, deverão colaborar com as ações necessárias para a eficácia da atuação preconizada pelas direções”.

Fonte: http://www.sinprors.org.br/extraclasse/out12/caderno_especial03.asp

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